quarta-feira, 28 de agosto de 2013

O Conselho Municipal de Educação de Curitiba inserido no PAR – PLANO DE AÇÕES ARTICULADAS – MEC

O Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), apresentado pelo Ministério da Educação em abril de 2007, colocou à disposição dos estados, do Distrito Federal e dos municípios, instrumentos eficazes de avaliação e de implementação de políticas de melhoria da qualidade da educação, sobretudo da educação básica pública.

O Plano de Metas Compromisso Todos pela Educação, instituído pelo Decreto 6.094 de 24 de abril de 2007, é um programa estratégico do PDE, e inaugura um novo regime de colaboração, que busca concertar a atuação dos entes federados sem ferir-lhes a autonomia, envolvendo primordialmente a decisão política, a ação técnica e atendimento da demanda educacional, visando à melhoria dos indicadores educacionais.

Trata-se de um compromisso fundado em 28 diretrizes e consubstanciado em um plano de metas concretas, efetivas, que compartilha competências políticas, técnicas e financeiras para a execução de programas de manutenção e desenvolvimento da educação básica.

A partir da adesão ao Plano de Metas Compromisso Todos pela Educação, os estados e municípios elaboram seus respectivos Planos de Ações Articuladas.

O Plano de Ações Articuladas - PAR é uma ferramenta de planejamento para as secretarias de Educação municipais e estaduais brasileiras. Basicamente, os municípios e estados avaliam seus problemas na rede de ensino, reportam ao MEC e recebem assessoria técnica e recursos para implementar mudanças.

O Plano Nacional de Educação (PNE) define qual o rumo da Educação brasileira e o PAR é um dos instrumentos de gestão para se chegar lá. É possível incluir novas ações no PAR para atender as diretrizes do PNE.
Para auxiliar na elaboração do PAR, o Ministério da Educação criou um novo sistema, o SIMEC Módulo PAR Plano de Metas – integrado aos sistemas que já possuía, e que pode ser acessado de qualquer computador conectado à internet, representando uma importante evolução tecnológica, com agilidade e transparência nos processos de elaboração, análise e apresentação de resultados do PAR.

Com metas claras, passíveis de acompanhamento público e controle social, o MEC pode assim disponibilizar, para consulta pública, os relatórios dos Planos de Ações Articuladas elaborados pelos estados e municípios que aderiram ao Plano de Metas Compromisso Todos pela Educação.

Entre os principais objetivos do PAR estão o de ajudar as secretarias de Educação de estados e municípios a planejar as próximas etapas de suas políticas educacionais e garantir que sejam mantidas mesmo com as trocas de governo.

Municípios e estados fazem uma autoavaliação com base em ações listadas pelo MEC. São quatro áreas: gestão educacional; formação de professores e de profissionais de serviços e apoio escolar; práticas pedagógicas e avaliação; infraestrutura física e recursos pedagógicos.

Para ajudar na elaboração, o MEC oferece um roteiro com pontuação de um a quatro, tabelas com dados demográficos e do Censo Escolar de cada ente federativo e informações sobre como preencher os dados.

A etapa seguinte é a análise técnica feita pela Secretaria de Educação Básica do MEC e pelo FNDE. Terminada, o município assina um termo de cooperação, que detalha a participação do ministério: com aconselhamento técnico ou assistência financeira. Se há transferência de recursos, o município assina um convênio, que é analisado a cada ano.

A adesão foi condicionada ao Plano de Metas Compromisso Todos Pela Educação, que estipula 28 diretrizes para melhoria do ensino nacional.
O FNDE fiscaliza a aplicação do dinheiro e técnicos do ministério visitam os municípios periodicamente para acompanhar a execução dos programas. Além disso, o IDEB a cada dois anos, serve como parâmetro para avaliar as melhoras nos indicadores.

O MEC acompanha o trabalho por meio do Sistema Integrado de Planejamento, Orçamento e Finanças do Ministério da Educação (SIMEC). Consultores e assistentes técnicos da Unesco, ONGs e universidades federais também auxiliam.

A população também pode participar por meio dos conselhos locais de Educação e diretamente com o FNDE, na Central de Atendimento ao Cidadão por telefone (0800-616161), carta ou na página do FNDE

Ministério da Educação
PAR - Plano de Ações Articuladas
Relatório Público / Apresentação
http://www.todospelaeducacao.org.br/comunicacao-e-midia/noticias/21559/perguntas-e-respostas-o-que-e-e-como-funciona-o-par/

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Conselho Municipal de Educação de Curitiba tem nova Diretoria




A escolha se deu por aclamação na 1.ª sessão da 6.ª reunião ordinária do Conselho Municipal de Educação de Curitiba - CME, no dia 07 de agosto. Assumiram a presidência e a vice-presidência, respectivamente, as Conselheiras Berenice Valenzuela de Figueiredo Neves e Liana Márcia Justen, pela vacância caracterizada com o término do mandato das conselheiras Everly Marques Canto e Eliane de Souza Cubas Zaions, que exerciam os cargos da Diretoria do CME. 

A diretoria ora escolhida pelo Conselho Pleno deste Conselho exercerá os cargos de presidente e vice-presidente no período de agosto a dezembro de 2013, quando deverá ser convocada eleição da nova Diretoria, conforme preconizado no parágrafo 9.º do Art. 28 do Regimento Interno do CME, que trata "em caso de vacância simultânea dos cargos de presidente e vice-presidente em ano eleitoral do CME, o Conselho Pleno definirá a forma de substituição para término de mandato".

Berenice Valenzuela de Figueiredo Neves foi assessora técnico-pedagógica do Conselho Municipal de Educação de Curitiba de 2008 a 2013. Pedagoga de formação e Especialista em Educação na área de Currículo, pela Universidade Federal do Paraná. Atuou como docente no Curso de “Gestão e Liderança Educacional”, ofertado pelo programa de Pós-graduação da FAE, sendo responsável pelo desenvolvimento do Módulo “Gestão Democrática”. Atuou como consultora técnica para organização do Plano Municipal de Educação do Município de Almirante Tamandaré, Paraná, pela Fundação Getúlio Vargas – FGV. Exerceu a função de Diretora pedagógica da Universidade do Professor, órgão da Secretaria da Educação do Estado do Paraná. Na Secretaria Municipal da Educação de Curitiba já exerceu as funções de: assessora técnico-pedagógica e de projetos do gabinete da SME; gerente da gerência do ensino fundamental e pré-escolar; diretora do Departamento de Educação; diretora da Escola Romário Martins, na época, denominada Palmas, e da Escola Anísio Teixeira, anteriormente denominada Nova Esperança. Atualmente exerce o cargo de conselheira titular no Conselho Municipal de Educação de Curitiba, representando o segmento do poder executivo.

Liana Márcia Justen é pedagoga aposentada da Secretaria Municipal de Educação de Curitiba, onde atuou em diversas escolas municipais e também na Assessoria Técnica do Gabinete da Secretária; trabalhou na Coordenadoria de Educação Ambiental da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos/ SEMA, coordenando programas e projetos educacionais em âmbito estadual; foi uma das fundadoras da Rede de Educação Ambiental do Paraná/REA-PR, onde atualmente é facilitadora do Polo Temático Materiais de EA; pertence ao Grupo de Facilitação Nacional da Rede Brasileira de Educação Ambiental / REBEA; apresentou trabalhos em eventos estaduais, nacionais e internacionais relacionados à Educação e Meio Ambiente, sendo autora de diversos artigos sobre o tema, publicados em livros e revistas especializados; é  especialista em Educação Básica e em Planejamento Educacional, mestre em Educação e doutoranda em Educação Ambiental na Universidade de Valência/ES. É Conselheira titular do segmento Poder Executivo do Conselho Municipal de Educação de Curitiba. 

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Câmara de Educação Infantil do Conselho Municipal de Educação de Curitiba discute questões pedagógicas relacionadas à idade de ingresso na Educação Infantil

Dando continuidade ao desenvolvimento do seu Plano de Ações, a Câmara de Educação Infantil do Conselho Municipal de Educação busca, no diálogo com vários setores da Educação, refletir sobre as condições legais e administrativas necessárias à normatização que deverá efetivar a universalização da Pré-escola no Sistema Municipal de Ensino de Curitiba – SISMEN. Após a realização de encontro que se deu na sede do Conselho Estadual de Educação do Paraná – CEE/PR, a Câmara voltou a se reunir no dia 09/08/2013, em reunião extraordinária, na sede do Conselho Municipal de Educação de Curitiba – CME, com a presença dos conselheiros da Câmara de Educação Infantil; de conselheiras representantes das Câmaras do Ensino Fundamental e de Gestão do Sistema, do CME; conselheiros representantes da Câmara de Educação Infantil e do Ensino Fundamental do Conselho Estadual de Educação; representantes da Secretaria Municipal de Educação de Curitiba; representantes da Secretaria de Estado de Educação do Paraná e, da Coordenadora do Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Justiça de Proteção à Educação – CAOPEDUC, a Promotora de Justiça Doutora Hirmínia Dorigan de Matos Diniz.


As reflexões realizadas tiveram como foco a garantia dos direitos da criança em conformidade à legislação vigente, o direito ao tempo de infância, a obrigatoriedade da oferta de vagas pelo poder público, a necessidade de assegurar a qualificação profissional aos profissionais da educação e a necessária adequação curricular.


A presidente do CME, Berenice Valenzuela de Figueiredo Neves que compartilhou a condução dos trabalhos com a Coordenadora da Câmara de Educação Infantil, Conselheira Kelen Patrícia Collarino, ao final dos trabalhos, destacou que a responsabilidade de todos os segmentos presentes é o de zelar pela garantia dos direitos à educação, os quais devem ser atendidos em sua amplitude constitucional.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Ronaldo Vadson Schwantes, nosso sempre Conselheiro Municipal de Educação da Cidade de Curitiba

Faleceu na manhã de quinta-feira (18.07.2013), aos 65 anos, o Conselheiro do Conselho Municipal de Educação de Curitiba, professor e esgrimista Ronaldo Vadson Schwantes, vítima de complicações do câncer de pulmão.

Conselheiro do Conselho Municipal de Educação de Curitiba desde setembro de 2009, foi integrante da Comissão de Revisão do Regimento e Coordenador da Comissão de Educação Especial do Conselho Municipal de Educação de Curitiba de 2010 a 2013. Ronaldo foi um estudioso e defensor da Educação Especial na cidade de Curitiba. Assumiu a direção da Escola Municipal de Educação Especial Helena Wladimirna Antipoff de 1997 a 2012.

Esse trabalho e dedicação com a Educação Especial na cidade culminou com o convite para integrar o secretariado do atual prefeito de Curitiba Gustavo Fruet como Secretário Especial dos Direitos da Pessoa com Deficiência. Ronaldo assumiu a Secretaria durante o primeiro mês da gestão, pedindo afastamento no final de janeiro de 2013 para se dedicar ao tratamento da doença. 


Iniciou sua trajetória acadêmica se formando primeiro em filosofia na PUC do Rio Grande do Sul, em 1973 e depois em Educação Física na UFPR, em 1978. Se pós-graduou em Educação Física com ênfase em Educação Especial, em 1982. Foi integrante do Magistério Municipal de Curitiba, ingressando na Rede em 11/03/1982.


Como atleta Ronaldo Schwantes também se destacou na esgrima. Ele foi o primeiro brasileiro a ganhar medalha na modalidade em Jogos Pan-Americanos. Foram dois bronzes, o primeiro na Cidade do México, em 1975, e o segundo em Caracas, em 1983. Além disso, foram três títulos sul-americanos, semifinalista do Grand Prix de Berna, na Suíça, em 1974, quatro participações em mundiais e nove títulos sul-americanos de veteranos.

O Círculo Militar do Paraná o homenageou neste ano de 2013 dando o nome de Ronaldo à sala de esgrima no dia 08 de maio.


A prefeitura de Curitiba decretou luto oficial por três dias. O velório de Ronaldo Schwantes aconteceu ontem (18.07) na capela 2 do Cemitério Vertical no bairro Tarumã, a partir das 18 horas. 

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Representantes do Conselho Municipal e Estadual de Educação e das Secretarias Municipal e Estadual de Educação se reúnem em Curitiba

A alteração da LDBEN motivou a Câmara da Educação Infantil – CEI do Conselho Municipal de Curitiba – CME, a promover no dia 02/07/2013, na sede do Conselho Estadual de Educação do Paraná – CEE, um encontro com os conselheiros representantes da Câmara da Educação Infantil e do Ensino Fundamental – CEIF do CEE, da Câmara de Educação Infantil - CEI do CME, com um representante da Câmara do Ensino Fundamental – CEF e um da Câmara de Gestão do Sistema – CGS do CME, com representantes da Secretaria Municipal de Educação de Curitiba – SME e da Secretaria de Estado de Educação do Paraná – SEED. O objetivo desse encontro foi iniciar um diálogo e refletir sobre os encaminhamentos de normatizações para os sistemas de ensino, no que se refere à universalização da pré-escola.










A Lei n.º 12796, de 04 de abril de 2013, que dispõem, entre outros, sobre a educação básica obrigatória e gratuita dos 4 aos 17anos, passando a alterar alguns artigos da Lei n.º 9394 de 20 de dezembro de 1996 Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDBEN; e a meta 1 do Plano Nacional de Educação – PNE , com vigência 2011 a 2020, ainda em tramitação no Congresso Nacional, que propõem  a universalização, até 2016, do atendimento escolar da população de 4 e 5 anos e, da ampliação até 2020 da oferta de educação infantil, de forma a atender a 50% da população de até 3 anos, são alterações significativas e que irão demandar dos conselhos de educação  novas normatizações.

A conselheira Maria Luiza Xavier Cordeiro, presidente da CEIF do CEE, fez a abertura e foi responsável pela condução do  encontro, que foi um momento de grande importância para os conselhos das duas esferas de ensino: estadual e municipal. 

segunda-feira, 1 de julho de 2013

A emergência das questões socioambientais na prática pedagógica da escola















Liana Márcia Justen* e Vanessa Marion Andreoli **

Uma das questões atuais mais preocupantes é a grande crise que envolve o meio ambiente. Tal crise começou a se intensificar à medida que o ser humano foi assumindo um sentimento de dominação sobre a natureza, distanciando-se dela.

Historicamente, as relações entre sociedade humana e natureza oscilaram do temor e reverência primitivos diante dos fenômenos físicos e dos animais ameaçadores, ao desejo de dominação sobre territórios e regiões férteis em alimentos e água. No decorrer das eras, algumas culturas conseguiram estabelecer relações mais harmônicas com a natureza, percebendo a interdependência entre a espécie humana e os demais entes naturais.

Porém, em acordo com a lógica do modelo socioeconômico e cultural que passou a vigorar nas sociedades modernas e contemporâneas, ocorreu um distanciamento e mesmo um menosprezo à natureza, que passou a ser tratada como mercadoria. Ao mesmo tempo, a ação predatória do modelo de desenvolvimento econômico, científico e tecnológico atual tem causado a poluição do ar, das águas e dos solos, a destruição e degradação de florestas nativas, a extinção de espécies animais e vegetais e o esgotamento das fontes naturais de energia em nível global.

Torna-se, portanto, emergencial que as questões ambientais sejam discutidas e refletidas pelos mais diversos setores sociais, uma vez que esta problemática afeta não somente o cotidiano de diversas comunidades, como a qualidade de vida de toda a população mundial. Mudanças físicas, geográficas e climáticas ocorrem simultaneamente em todos os pontos do globo e a crise ambiental global cada vez mais requisita uma alteração nos valores, propósitos, meios de produção e consumo, e nas atividades cotidianas das pessoas.

No entanto, a visão geral da sociedade quanto à responsabilidade com a proteção ambiental ainda é estreita e egoística, levando ao não entendimento da grandiosidade e emergência da Educação Ambiental (EA) – aqui entendida, essencialmente, como uma educação contínua, permanente, emancipadora e transformadora – em todos os segmentos sociais. É preciso humildade à orgulhosa sociedade humana, para entender que a natureza cobra um alto preço pela invasão e destruição a que é submetida, bem como disposição para mudar seus atos predatórios.

Toda e qualquer pessoa, todos os segmentos sociais devem se envolver e se tornar responsáveis pela mudança. Temos avançado muito pouco, porque a tendência generalizada é fingir que se muda e não mudar coisa alguma – isto é: o comodismo impera. A EA, em meio a essa crise, torna-se então um dos principais instrumentos possíveis para contribuir à construção de novas condutas humanas, capazes de evitar ou, pelo menos, minimizar a destruição que vem afetando nossa espécie e as demais com quem interagirmos, e das quais dependemos para nossa sobrevivência.

Nesta perspectiva, a EA apresenta duas dimensões: a magnitude do que propõe, ou seja, a construção de valores, crenças, atitudes que exprimam uma visão generosa e ampla de sociedade e natureza; e a necessidade de mudança nas práticas da vida cotidiana das pessoas, desde as mais simples, até as mais complexas, nos meios de produção e no consumo. É através da sensibilização, primeiramente, que o ser humano começa a tomar consciência de sua prática em relação ao ambiente em que vive. Sensibilização entendida, no contexto deste artigo, como o processo educativo de tornar as pessoas conscientes de suas percepções sobre si mesmas e suas relações com os demais seres que compõem a natureza, possibilitando vivências e construindo conhecimentos não só pela racionalidade, mas a partir de sensações, intuições e sentimentos.

Em suas diversas possibilidades, a EA abre um estimulante espaço para se repensar práticas sociais e desenvolver os conhecimentos necessários para que os indivíduos adquiram bases adequadas à compreensão essencial do meio ambiente global e local, da interdependência dos problemas e soluções, e da importância da responsabilidade de cada um para construir uma sociedade mais equitativa e ambientalmente sustentável. A EA deve, portanto, trabalhar valores que propiciem o interesse, a autoconfiança e o engajamento em ações conservacionistas. Ela está ligada, principalmente no contexto deste trabalho, a novas formas de relação entre ser humano e natureza, em sua dimensão cotidiana, como uma soma de práticas, e suas potencialidades de generalização no conjunto da sociedade.

A realidade atual exige uma reflexão cada vez menos linear, e isto se produz na inter-relação dos saberes e das práticas coletivas, criando identidades, valores comuns e ações solidárias, numa perspectiva que privilegia o diálogo entre os saberes das diversas ciências que estudam a natureza. Existe, portanto, a necessidade de incrementar os meios de informação e comunicação e o seu acesso a todos os segmentos da população, bem como o papel indutivo do poder público nos conteúdos educacionais, como caminhos possíveis para se alterar o quadro atual de degradação socioambiental.

Trata-se de promover o crescimento da consciência ambiental, expandindo a possibilidade de a população participar mais efetivamente nos processos decisórios, fortalecendo sua corresponsabilidade na fiscalização e no controle dos agentes de degradação ambiental. Assim, a Educação Ambiental deve ser acima de tudo um ato político, voltado para a transformação social. O seu enfoque deve buscar uma perspectiva holística de ação, que relaciona o ser humano, a natureza e o universo, tendo em conta que os recursos naturais se esgotam e que a ação predatória humana tem se tornado a principal responsável pela sua degradação.

Neste contexto, a escola, entendida como uma das principais instituições sociais formadoras de valores e desenvolvedora de habilidades, possui um papel crucial no processo de construção de uma EA que atente para a melhoria da qualidade de vida, não somente de seus estudantes, mas das comunidades às quais pertencem. Precisamos trabalhar com uma visão ambiental mais ampla, que inclua também as questões sociais, políticas e econômicas relacionadas. Enfim, uma EA muito além de separação e coleta de lixo reciclável, da celebração de datas comemorativas, das tentativas de proteção de rios, matas e fundos de vale. Essas ações são importantes e necessárias, mas é preciso trabalhar a EA em perspectivas mais amplas. O desafio emergente imposto a nós, educadores, é exercitar o pensamento interdisciplinar – em outras palavras, romper as barreiras em que as “caixinhas” da fragmentação do conhecimento nos colocaram ao longo da história.

Uma criança pequena aprende sobre a vida e o mundo observando, agindo sobre objetos, aprimorando percepções, exercitando a capacidade de assimilação de fatos e situações que se comunicam entre si, como ocorre na vida. Depois, vê-se obrigada a estudar tudo em separado: letras, números, operações matemáticas, regras ortográficas, geografia, história, ciências... A totalidade que ela encontrou no mundo, que a encantou e sobre a qual ela teve tanta curiosidade, vai sendo dividida em caixas separadas de conhecimentos que cada vez mais dificilmente se comunicam nos currículos dos diversos níveis de ensino.

É certo que há momentos em que se precisa aprofundar os modos específicos de conhecer e pesquisar um determinado campo de conhecimento, estabelecido pela organização denominada “disciplina”, ou área do saber, mas nunca se pode perder de vista o todo ao qual esse campo pertence, sob pena de nos alhearmos da formatação ecossistêmica que predomina na vida e na natureza. Não aprendemos ainda a lidar com esta formatação, e este fato está na origem da atual crise ambiental.

É aí que nos deparamos com algumas questões fundamentais para a prática da EA: com que metodologia trabalhar informações sobre conteúdos já existentes nos currículos escolares, numa visão interdisciplinar, quando a organização curricular é fragmentada em disciplinas e embasada em conteúdos estanques? Como construir conceitos, valores, práticas e hábitos que impliquem numa educação emancipadora, capaz de incentivar os estudantes a se tornarem agentes transformadores de suas realidades?

A EA nos dá possibilidades de construir, transformar, refletir e ir à prática, frente à certeza de que sempre é possível mudar hábitos e práticas, alterar ou aperfeiçoar tecnologias, mesmo em contextos de apatia e indiferença. Além disso, possibilita a relação entre seres humanos, visando abrir um canal de comunicação com a sensibilidade, buscando o refinamento desta. Nós não queremos formar seres que somente saibam lidar com máquinas, autômatos com cabeças feitas – queremos pessoas melhores do ponto de vista ético, dos valores humanos.

Devemos almejar uma melhoria na consciência humana, tanto individual quanto coletiva. Trabalhar na perspectiva da realidade e do sonho não deve ser visto pela escola como algo utópico, romântico, mas como possibilidade de escolha entre as coisas como são hoje e como podem se tornar. Com mudanças na forma de as pessoas pensarem, sentirem e agirem, todas as formas de vida exercerão um papel importante, se entendermos que somos parte da natureza, não seus proprietários: o que garante a sobrevivência e o fortalecimento dos ecossistemas são a multiplicidade, a diversidade e a interdependência.

Apesar de todos os compromissos assumidos em conferências e eventos mundiais, sem esta percepção coletiva será muito difícil nos organizarmos para enfrentar, de modo integrado e cooperativo, os desafios comuns que ameaçam a sobrevivência de nossa espécie. Assim, a EA deve sempre se fundamentar numa visão ecossistêmica de mundo e numa concepção transformadora de educação, que envolve a relação de cada ser humano consigo mesmo, com os outros e com o planeta, no local e no global.

São pertinentes todas as metodologias que promovam a construção do pensamento científico, crítico e criador, mediante a observação, a comparação, a experiência prática, a ação conjunta, as vivências individuais e coletivas.

Inicialmente envolvendo as séries iniciais do ensino fundamental, e mais tarde definida como obrigatória por legislação específica, para todos os níveis e modalidades de ensino, bem como para todos os extratos sociais, a EA se tornou um desafio para os sistemas de ensino e todos os que atuam com educação, pela concepção transformadora, que postula a mudança de relações sociedade/natureza e a consequente alteração no modelo de desenvolvimento socioeconômico vigente.

Se pararmos para observar o que acontece na Educação Infantil, por exemplo, veremos a vida nas relações, se comunicando, interdependendo, dialogando, se conflitando por espaços, enfim, se relacionando o tempo todo. Se viéssemos usando esse tipo de metodologia em todos os níveis de ensino, as pessoas que inventaram e desenvolveram os agrotóxicos, por exemplo – pensando em acabar com as pragas – jamais teriam ignorado os efeitos de tais produtos na vida de outros animais e plantas no entorno próximo e mais distante.

Tudo parece muito utópico para a realidade do cotidiano escolar, mas na verdade precisamos de ações simples e não simplórias: a estrutura básica da EA implica em ações integradas de sensibilização, informação, mobilização, ação, comprometida com a construção de valores e adoção de práticas sustentáveis de vida. Afinal, quem é que disse que existe uma “educação não ambiental”, já que nascemos, crescemos e morremos dentro de um mesmo planeta, dependendo da natureza para respirar, comer, enfim: viver?

* Liana Márcia Justen é pedagoga, mestre em Educação e doutoranda em Educação Ambiental

** Vanessa Marion Andreoli é pedagoga, mestre em Sociologia e doutoranda em Educação

terça-feira, 4 de junho de 2013

Conferência Municipal de Educação de Curitiba



              
O Fórum Municipal de Educação de Curitiba é um espaço prioritário e indispensável de participação da sociedade na construção das políticas educacionais para a cidade de Curitiba, onde todos os participantes se apresentam com a mesma estatura para o diálogo, fator que transforma a educação do município em um espaço efetivamente democrático. 

A Secretaria Municipal de Educação de Curitiba, acatando a deliberação do Fórum Nacional de Educação, que organizou e estabeleceu a realização da II Conferência Nacional de Educação - CONAE/2014 efetivará a sua etapa municipal.

A Conferência Municipal de Educação de Curitiba será realizada nos dias 21 e 22 de junho de 2013, no Auditório do Colégio Estadual do Paraná e terá como tema “O Plano Nacional de Educação na Articulação do Sistema Nacional de Educação: Participação Popular, Cooperação Federativa e Regime de Colaboração”. Para participar da Conferência os interessados devem pleitear vagas juntos as suas entidades representativas.

Para maiores informações:
Secretaria Executiva do Fórum Municipal de Educação de Curitiba:
Érica – 33503105
Renata – 33503103