quinta-feira, 29 de setembro de 2011

I Conferência Municipal de Educação de Curitiba

A
 Secretaria Municipal da Educação – SME e o Conselho Municipal da Educação de Curitiba – CME, em conformidade com a Lei Municipal n.º 12.090/2006, unem-se para deflagrar o processo participativo de múltiplos atores da área educacional e da sociedade civil na realização da I Conferência Municipal de Educação de Curitiba – I CMEC, que tem como finalidade precípua discutir temas que integram e interferem na qualidade da educação do Município, constituindo subsídios à elaboração do Plano Municipal de Educação.

A I CMEC tem como tema central “A Qualidade Social da Educação”, que será desenvolvido a partir dos seguintes Grupos Temáticos:

- Grupo 1 - Formação e valorização dos profissionais da educação;
- Grupo 2 - Gestão e financiamento da educação;
- Grupo 3 - Educação integral;
- Grupo 4 - Inclusão e diversidade;
- Grupo 5 - Planejamento e avaliação.

Nesse sentido, a Comissão Executiva Organizadora solicita a colaboração de todos para ampla divulgação da I CMEC, bem como o incentivo à participação de profissionais envolvidos em todas as etapas previstas para a Conferência, considerando a importância histórica do evento para a Educação de Curitiba.
A Comissão informa que no site <www.cidadedoconhecimento.org.br>, estão postados documentos orientadores referentes a I CMEC. Recomendamos o acesso a esses para organização das etapas que antecedem a Plenária Geral.


A I CMEC é precedida por três etapas:

1­- Ciclo de Palestras Preparatórias:

Palestras realizadas:
- 21 de junho - Planejamento e Avaliação
- 27 de junho - Gestão e Financiamento da Educação
- 28 de junho - Inclusão e Diversidade
- 19 de setembro - Educação Integral - Docente - Miguel Arroyo
- 28 de setembro - Formação e Valorização dos Profissionais
2 - Etapa Local:

A Etapa Local acontecerá no interior das instituições de educação e ensino, públicas e privadas, e nas demais organizações da sociedade civil envolvidas, no período de 15 de agosto a 30 de setembro de 2011, consistindo na realização de estudos, discussões e elaboração de relatório sobre os grupos temáticos da I CMEC, contendo:
- inscrição de representantes para a Etapa Regional, com a preferência de participação nos grupos temáticos;
- formulação de no máximo de 5(cinco) propostas relacionadas às temáticas (distribuídas igualitariamente ou não).

A inscrição de representantes para participação da Etapa Regional, conforme Regulamento da I CMEC será de:

- 3(três) representantes de cada instituição de educação e ensino, sendo 1 (um) gestor em educação, 1(um) trabalhador em educação e 1(um) usuário da sociedade civil, sendo pai ou estudante maior de 16 anos;
- 3(três) representantes de cada área ou regional das Secretarias Estadual e Municipal da Educação e da equipe interna do Conselho Municipal de Educação;
- 3(três) representantes de cada departamento, setor e coordenadoria do nível central das Secretarias Estadual e Municipal da Educação;
- 1(um) representante de cada uma das demais organizações da sociedade civil.

A formulação de propostas, conforme Regulamento da I CMEC, deverá basear-se no material de referência que está disponibilizado no site: <www.cidadedoconhecimento.org.br>, composto de:
         I.      Diagnóstico da Educação no Município de Curitiba;
        II.      Síntese de Propostas elaboradas na Semana de Estudos Pedagógicos da Rede Municipal de Ensino em 2010;
        III.      Textos de autoria dos palestrantes do Ciclo de Palestras Preparatórias;
        IV.      Projeto de lei referente ao Plano Nacional de Educação – 2011-2020.
O relatório da Etapa Local deverá ser encaminhado para o e-mail específico da I CMEC – Etapa Regional correspondente a cada uma das 9 (nove) regionais da cidade, até o dia 30 de setembro de 2011.

 3 - Etapa Regional:
A Etapa Regional ocorrerá nas 9 (nove) regionais da cidade de Curitiba, sob a coordenação-geral do chefe do Núcleo Regional de Educação Municipal, compreendendo a apresentação e discussão da sistematização das proposições da Etapa Local, a elaboração da síntese das discussões e a tirada de delegados e de observadores por segmento.

A Etapa Regional ocorrerá simultaneamente, das 8h às 13h, no dia 22 de outubro de 2011, nas regionais: Boqueirão, Cidade Industrial de Curitiba, Pinheirinho, Portão e Santa Felicidade e, no dia 29 de outubro de 2011, simultaneamente nas regionais: Bairro Novo, Boa Vista, Cajuru e Matriz. 

A Etapa Regional terá a participação de representantes inscritos conforme § 3.º do artigo 8.º do Regulamento da I CMEC e de convidados do Poder Público e das organizações da sociedade civil, a serem inscritos na data de realização dessa Etapa.

O relatório de cada Grupo Temático da Etapa Regional deverá ser entregue à Comissão Executiva Organizadora no encerramento dos trabalhos, contendo:
- inscrição de delegados e observadores conforme os Anexos I e II do Regulamento da I CMEC;
- de 3 (três) a 5(cinco) proposições para cada temática.

A plenária será constituída de 464 delegados distribuídos da seguinte forma, conforme Anexo I do Regulamento da I CMEC:

- Gestores em educação – 157 delegados (34%);
- Trabalhadores em educação – 157 delegados (34%);
- Sociedade civil – usuários e demais organizações envolvidas – 135 delegados (29%);
- Conselheiros Municipais de Educação – 15(quinze) (3%).

 Plenária Geral
Após a realização do Ciclo de Palestras Preparatórias, da Etapa Local e da Etapa Regional, será realizada a Plenária Geral da I CMEC nos dias 02 e 03 de dezembro de 2011.
No dia 02 de dezembro, acontecerá o credenciamento dos delegados e dos observadores inscritos na Etapa Regional, bem como, a dos convidados. A seguir a abertura pública solene; a aprovação do Regimento; a Palestra Magna com o tema “Educação e sociedade”.
No dia 03 de dezembro, pela manhã, discussão das proposições aprovadas da Etapa Regional, nas reuniões dos Grupos Temáticos e à tarde, Plenária Final.
Mais informações e esclarecimentos poderão ser obtidos pelos e-mails abaixo
especificados ou pelo site: <http://www.cidadedoconhecimento.org.br/


Antecipadamente, Comissão Executiva Organizadora agradece o apoio e a colaboração para que os objetivos da I Conferência Municipal de Educação de Curitiba sejam alcançados.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

XXI Encontro Nacional dos Conselhos Municipais de Educação

O XXI Encontro Nacional dos Conselhos Municipais de Educação vai acontecer em Palmas/Tocantins, nos dias 09,10 e 11 de novembro de 2011.

A participação de cada um e de todos os CME do Brasil é sumamente importante, no fortalecimento dos mecanismos de gestão democrática.

LOCAL: Palmas / Tocantins
Aquarius Eventos
ENDEREÇO: Avenida Teotônio Segurado, 210 Sul – Conjunto 01, Lote 10.
DATA: 09, 10 E 11 de novembro 2011
TEMA: Os Conselhos de Educação e as Políticas Públicas: do PNE aos Planos Municipais de Educação.
Nº DE VAGAS: 1.000
PERÍODO DE INSCRIÇÃO: de 15/09 a 30/10/2011 

PROGRAMAÇÃO
DIA 09/11/2011 
-  9h às 17h  - Credenciamento
- 19h - Cerimônia de Abertura
          Formação da Mesa
          Apresentação Cultural
Conferência sobre o Tema do Encontro – Ministro Fernando Haddad (a confirmar)

DIA 10/11- Manhã 
-  8h30min às 10h30min
Mesa: Planos de Educação, Conselhos e Lei de Responsabilidade Educacional.

                          Palestrantes:
Francisco Chagas Fernandes – Secretário Executivo Adjunto/ MEC.
Jamil Cury – Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (a confirmar)

Coordenador:
Artur Costa Neto – Vice-presidente da UNCME

- 10h30min às 13h
Mesa: Gestão Democrática e os Conselhos de Educação
Palestrantes:
Maria Luiza Martins Aléssio – Diretoria de Apoio à Gestão Educacional / SEB / MEC
Cleuza Rodrigues Repulho – Presidente Nacional da UNDIME.
Coordenadora:
Maria Ieda Nogueira – Presidente Nacional da UNCME

DIA 10/11 – Tarde 
- 14h30min às 17h30min
Momento UNCME
Relato da gestão e prestação de contas
Eleição da presidência (2012/2014)
Escolha do local para XXII Encontro Nacional
Outras questões e Encaminhamentos.

DIA 11/11 – Manhã
- 8h30min
Mesas de Interesse
1. Financiamento da Educação e o Custo Aluno Qualidade inicial
Expositores:
Daniel Cara – Coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação.
Danilo de Melo Souza – Secretário de Educação de Tocantins
Coordenador:
Diego Tormes – UNCME/RS
Relatora:
Maridilva Oliveira – UNCME/MT

2. Educação Integral e Educação de Tempo Integral
Expositores:
Clélia Brandão – Conselho Nacional de Educação.
Rosilene Lagares – Universidade Federal de Tocantins
Coordenadora:
Marlene Balejo – UNCME/MS
Relatora:
Sônia Pegoral – UNCME/RJ

3. Educação Infantil: perspectivas e o papel dos Conselhos Municipais de Educação
Expositores:
Rita Coelho – Coordenadora de Educação Infantil–SEB/MEC
Genuíno Bordignon - Professor e Assessor do MEC                   
Coordenadora:
Ampara Paiva – UNCME/GO
Relatora:
Zélia Mendonça – UNCME/AC

4. Educação do Campo: respeito à diversidade cultural
Expositores:
Mônica Molina – Universidade de Brasília (a confirmar)
Jaqueline Pasuch – Universidade do Estado de Mato Grosso
Coordenador:                         
Weslei Pires – UNCME/TO
Relatora:
Tereza Pirchiner – UNCME/ES

DIA 11/11 – Tarde 
- 13h30min às 15h
Apresentação dos Relatórios das Mesas de Interesse e Compromissos da UNCME

- 15 horas
Encerramento

- 15h30min
Visitas programadas às:
* Escolas de Tempo Integral
* Escolas do Campo

Outras Informações podem ser obtidas no site da UNCME no Mural de Informações:       

Informações retiradas do site* da UNCME.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Educação Integral é tema de palestra com Miguel Arroyo em Curitiba

 
O
 Conselho Municipal de Educação e a Secretaria Municipal da Educação de Curitiba promoveram mais uma palestra referente ao Ciclo de palestras preparatórias para a I Conferência Municipal de Educação de Curitiba. O encontro aconteceu no dia 19 de setembro, no Centro de Convenções de Curitiba. A palestra ministrada pelo professor Dr. Miguel Arroyo foi sobre Escola Integral. O evento contou com a presença de profissionais das unidades da Rede Municipal de Educação e Ensino e de vários segmentos da sociedade. Miguel Arroyo é Professor Titular Emérito da Faculdade de Educação da UFMG e ex-Secretário Municipal Adjunto de Educação da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte.

O professor iniciou a palestra indagando a plateia sobre quais significados podem ter o aumento de tempo na escola. Segundo Arroyo, para as crianças de famílias dos setores populares, aumentar o tempo na escola é ampliar o que para elas é escasso. “Hoje as próprias famílias querem seus filhos mais tempo na escola e há uma procura maior da educação com a precarização do direito à infância”, complementa.

Arroyo evidencia que hoje a infância esta desprotegida com a saída das mulheres para o mercado de trabalho, com tudo isso se exige mais tempo de proteção e aí entra a escola integral. Salienta que a sociedade não pode condenar o tempo da infância, que a infância precisa da escola: para viver o tempo da infância; para ter espaços dignos e para proteção e cuidado.

Arroyo afirma que hoje as camadas populares da sociedade não são mais as mesmas de tempos atrás; hoje elas têm consciência do seu direito à educação, e que não adianta ser oferecido a elas mais tempo da “mesma escola”, “não existe vantagem em garantir mais educação do mesmo tipo de educação” evidencia.

Para o professor Arroyo, para muitas crianças, o tempo de escola é muito pesado e significa repetência, evasão, uma carga a mais do que já fazem no primeiro turno.
O professor destaca a importância de se pensar a escola integral numa perspectiva de vínculo entre conhecimento e as diversas áreas de formação da dimensão humana como cultura, arte e diversidade. Ressaltou que o conhecimento faz sentido quando ajuda o homem a entender-se e que não há conhecimento sem cultura. E completou que se a sociedade quer dar conta dessa infância, terá que repensar a forma de ver a infância, elaborando propostas pedagógicas não negativas, propostas que colocam as ênfases no ser humano, partindo sempre de uma visão positiva dos setores populares.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Ciclo de Palestras Preparatórias para a I Conferência Municipal de Educação tem continuidade no mês de setembro


Dando prosseguimento ao Ciclo de Palestras Preparatórias para a I Conferência Municipal de Educação – I CMEC, que teve início em 21 de junho, duas palestras serão ministradas nos dias 19 e 28 de setembro. Os palestrantes serão Miguel Arroyo e Iria Bredzinski.
O objetivo principal do Ciclo de Palestras é a preparação para a Conferência Municipal de Educação, que dará subsídios à elaboração do primeiro Plano Municipal de Educação no Município de Curitiba.
Os temas abordados até o momento foram:
Planejamento e Avaliação, com a palestrante Mônica Ribeiro da Silva; Gestão e Financiamento da Educação com as docentes Heloísa Lück e Andréa Barbosa Gouveia e Inclusão e Diversidade, tema ministrado pelos palestrantes Ronaldo Schwantes, Paulo Vinícius Baptista da Silva e Toni Reis.

Programação:

19 de setembro de 2011
- Palestra - Educação Integral.
Docente - Miguel Arroyo
Local - Centro de Convenções de Curitiba - Rua Barão do Rio Branco, 370 – Centro
Horário – 19 horas

28 de setembro de 2011
- Palestra - Formação e Valorização dos Profissionais.
Docente - Iria Bredzinski
Local - Centro de Convenções de Curitiba - Rua Barão do Rio Branco, 370 – Centro
Horário – 19 horas

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Fórum Estadual de Educação do Paraná entrega propostas relativas ao Plano Nacional da Educação 2011-2020


A cerimônia de entrega das propostas relativas ao PNE 2011-2020 aconteceu no campus do Jardim Botânico da Universidade Federal do Paraná, no dia 29 de julho. A entrega foi feita ao deputado federal e também relator do Projeto de Lei 8035/10 - PNE 2011 - 2020, Ângelo Vanhoni pelo reitor da UFPR Zaki Akel Sobrinho.

O relatório final foi resultado das discussões levantadas nos 10 debates regionais do Fórum Estadual de Educação do Paraná e de entidades da sociedade civil e é composto de quase mil páginas contendo 1.424 propostas de emendas ao Projeto de Lei que deverá ser votado no Congresso Nacional ainda neste ano de 2011.

O Fórum foi constituído em 06 de maio de 2011 com o objetivo de conduzir os debates sobre o PNE e articular as discussões que subsidiarão a elaboração do Plano Estadual, dos Planos Municipais e das Conferências Estaduais de Educação.

Os Comitês Regionais de Organização das Reuniões e Sistematização foram divididos da seguinte forma:
Curitiba - Região Metropolitana; Litoral – Matinhos, Paranaguá; Sudoeste - Pato Branco; Oeste – Cascavel; Norte Novo – Londrina; Noroeste – Maringá; Paraná Centro Guarapuava; Norte Velho - Jacarezinho/Cornélio Procópio; Campos Gerais - Ponta Grossa; Extremo Oeste - Foz do Iguaçu.

A entrega do relatório ao Deputado Ângelo Vanhoni cumpre a meta prevista pelo Fórum Estadual de Educação do Paraná, de concluir os trabalhos de debates em todo o Paraná e reunir as contribuições do Estado ainda no mês de julho.

Estavam presentes à mesa do evento o Coordenador Geral do Fórum Estadual de Educação-PR, Zaki Akel Sobrinho, Reitor da UFPR; Deputado Federal e relator do projeto, Ângelo Vanhoni, o Deputado Federal e membro da Comissão Especial que analisa o PNE 2011-2020, Dr. Rosinha; o Senador da República Sérgio Souza; o Vice-Governador do Paraná e Secretário de Estado da Educação, Flávio Arns; o Secretário de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Alípio Santos Leal Neto; o Reitor da UTFPR, Carlos Eduardo Cantarelli; o Reitor da UEM, Julio Santiago Prates Filho; o Reitor da UEPG, João Carlos Gomes; o Presidente do Conselho Estadual de Educação, Romeu Gomes de Miranda; a Presidenta da União dos Dirigentes Municipais de Educação do Paraná (Undime-PR), Cláudia Maria da Cruz; a Presidente da APP/Sindicato, Marlei Fernandes de Carvalho; o Presidente Brasileiro da Itaipu Binacional, Jorge Samek; o Pró-Reitor de Administração, Finanças e Infraestrutura da Unila, Paulino Motter, representando o Reitor Hélgio Trindade e o Pró-Reitor de Extensão, Pesquisa e Inovação do IFPR, Paulo Yamamoto, representando o Reitor Irineu Colombo.

Para o Secretário de Estado da Educação e Vice-Governador do Paraná, Flávio Arns, o processo de discussão e amplo debate com todo o Estado deve continuar, pois além da elaboração do Plano Nacional, os planos Estadual e o Municipal de Educação também devem ser evidenciados.

O novo PNE (projeto de lei 8.035/2010) é fruto de discussões realizadas desde 2009, em conferências municipais, intermunicipais, estaduais, distrital e na Conferência Nacional de Educação e foi encaminhado à Câmara dos Deputados no dia 20 de dezembro de 2010 pelo governo federal. No projeto, são definidas dez diretrizes, 20 metas e 171 estratégias para alcançá-las, bem como os princípios e os prazos da proposta.

Estiveram presentes no evento profissionais da educação de diversos segmentos da sociedade, entre eles a coordenadora da UNCME-PR e também presidente do Conselho Municipal de Educação de Curitiba Everly Marques Canto e a Superintendente da Educação do Estado do Paraná Meroujy Giacomassi Cavet.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

A Gestão Democrática na Escola Pública

Artigo de: Josiane Gonçalves Santos[1]. 

Conselheira do Conselho Municipal de Educação de Curitiba, Pedagoga, Mestre em Educação, atualmente, Diretora da Escola Municipal Professor Kó Yamawaki.[1]


Considerando que nascemos para aprender tanto quanto a vida nos permita, papel estratégico na promoção da aprendizagem é reservado à gestão educacional e escolar. Longe de ser empreendimento simples, o desafio se move; seja qual for o contexto, quanto mais se aprende, mais há por aprender.
VIEIRA (2009, p. 166)

A sociedade contemporânea em que vivemos vem passando por importantes e determinantes transformações. A instituição de ensino também sofre essas interferências que passam a exigir a atualização dos processos pedagógicos e de seus profissionais.
Nesse cenário, tornou-se cada vez mais freqüente a utilização do termo GESTÃO para definir o gerenciamento e organização de diferentes situações e procedimentos. Palavra originária do latim gestio-õnis, significa gerir, gerência, administração. Relaciona-se, portanto, à tomada de decisão, organização, direção.
No espaço escolar, a gestão envolve a administração de recursos materiais, financeiros e humanos que precisam ser organizados em prol do êxito dos processos e dos resultados que, no caso específico da escola, estão relacionados à melhoria da qualidade do ensino e da aprendizagem de todos os alunos.
Todavia, esse processo não se desenvolve de forma isolada, mas em três grandes áreas de atuação que devem funcionar interligadas e integradas: gestão pedagógica, gestão financeira e gestão administrativa. Cada uma delas possui características específicas que se manifestam em diferentes ações e atribuições.
A gestão pedagógica é o principal vértice da gestão da instituição de ensino que deve ter como objetivo e compromisso, o desenvolvimento e aprendizagem de seus alunos. Suas ações visam o “gerenciamento” do trabalho educativo desenvolvido na instituição de ensino, sempre em acordo com o estabelecido no projeto político-pedagógico, no regimento escolar e na legislação vigente.
A gestão financeira se caracteriza pela administração dos recursos financeiros da escola que necessita, para atingir seus fins educacionais, planejar suas ações a partir de prioridades estabelecidas. Para tanto, é fundamental a eficaz administração dos recursos financeiros que são repassados pelo governo, além das verbas próprias, que são arrecadas por meio de festas, bazares, rifas ou doações. A utilização desse dinheiro exige que o gestor aja em acordo com as normas e diretrizes da mantenedora, sempre em prol da melhoria do trabalho pedagógico.
A gestão administrativa está relacionada à orientação e monitoramento de processos, recursos e profissionais, na busca de atingir os melhores resultados. Além dos processos pedagógicos, envolve também a administração das atividades de apoio, tais como: secretaria, serviços gerais, atividades de limpeza e manutenção da estrutura física e material.
Assim, compreender o significado do conceito de gestão é de extrema importância, pois, as ações e procedimentos que dela decorrem, estão diretamente relacionados aos compromissos e responsabilidades da instituição de ensino e de seus profissionais, sempre em prol do desenvolvimento de uma prática pedagógica que resulte na formação integral ensino dos educandos, tornando-os capazes de enfrentar os desafios da sociedade em que se vive. (BRASIL/MEC, 2004)

A gestão democrática na escola pública
O sucesso de uma gestão está, entre outros fatores, em compreender alguns princípios que são determinantes no desenvolvimento e gerenciamento dos processos característicos da escola.
Inicialmente, é preciso ter muito claro que essa é uma função característica de um líder, desenvolvida na coletividade, na condução de um grupo. Daí a importância de que as propostas e ações realizadas sejam motivantes, provocadoras e com compromisso social, propiciando confiança e segurança e, fundamentalmente, despertando o apoio e participação de todos. Caracteriza-se aí a gestão democrática.
Para se efetivar a gestão democrática na instituição escolar é necessário garantir que todos compreendam sua responsabilidade nesse processo.  Isso resulta da efetivação de práticas que favorecem o desenvolvimento da cidadania[2] e o exercício da democracia[3].
Uma sociedade não é democrática apenas pela simples afirmação de valores, mas, também pela construção e prática cotidiana dos mesmos, ou seja, pelos processos que os instauram e reafirmam. Segundo dados da UNESCO (2000), a construção da democracia muito decorre do trabalho educativo realizado pela escola.
Essa não é uma compreensão recente. Ao longo do tempo, filósofos, cientistas, políticos e educadores manifestaram-se a respeito desta idéia, expressando opiniões a respeito do papel da educação na e para a democracia. Atualmente, essa conscientização aumentou e disseminou-se entre os diversos setores da sociedade que passaram a reconhecer o papel primordial da educação para o desenvolvimento econômico do país, mas também para a promoção da paz, para o respeito aos direitos humanos e, principalmente, para a construção de uma sociedade mais justa e democrática.
Enquanto princípio constitucional, a gestão democrática do ensino público, traduz a participação ativa e cidadã da comunidade escolar[4] e local na condução da escola, pois, no contexto escolar, a gestão é um ato político que implica na tomada de decisões que não podem ser individuais, mas coletivas. (BRASIL, 2004)
No entanto, para que a gestão democrática se concretize é essencial o desenvolvimento de ações – pedagógicas e administrativas – pautadas nos princípios de autonomia[5] e de interculturalismo, e em processos de participação e de cooperação. 
Destaca-se novamente aqui o processo de ensino e aprendizagem, pois, por meio de práticas democráticas desenvolvidas em sala de aula se vivencia e se aprende, além dos temas educacionais, o respeito às diferenças e a resolução positiva de conflitos. Portanto, se a escola busca desenvolver valores democráticos como o respeito, a justiça, a liberdade, a solidariedade, deve, necessariamente, democratizar os métodos e os processos pedagógicos e, fundamentalmente, o relacionamento entre professor e aluno, pois, docentes que estabelecem relações horizontais com seus alunos, propiciando o diálogo sobre conteúdos e vivências, conseguem concretizar intervenções que atendem às questões individuais e coletivas. Essa atitude, além de respeitar as condições e possibilidades de cada um, contribui para a concretização de uma sociedade mais justa.
Agir com autonomia não significa apenas agir segundo vontade própria, apesar de estar relacionada à idéia de autogoverno. É um princípio que deve necessariamente ser desenvolvido de forma positiva por todos os profissionais da escola e pela comunidade, exigindo uma responsabilização competente, que não permite o espontaneísmo e a anarquia. (LÜCK, 2005)
Nas instituições escolares, o exercício da autonomia se dá pela construção de um ambiente propício à participação da comunidade escolar nas decisões locais, buscando soluções responsáveis e criativas, por meio de um processo de negociação rumo à efetivação dos objetivos estabelecidos. Todavia, é necessário agir sempre em acordo com as normatizações e diretrizes emanadas pela mantenedora e pela legislação vigente. Assim, autonomia da escola não significa independência, mas sim interdependência.
A participação de todos é condição essencial para a gestão democrática. No contexto escolar, a participação efetiva da comunidade no desenvolvimento do trabalho pedagógico pressupõe transparência nas decisões e representatividade de todos os segmentos, pois, se a escola tem como um de seus principais objetivos propiciar uma educação que conduza à cidadania deve organizar-se de forma a desenvolver relações horizontais de cooperação e solidariedade entre todos os envolvidos no processo pedagógico. É com essa compreensão que Sales (2004, p.27), destaca,

Participar é ter o poder de definir os fins e os meios de uma prática social, poder que pode ser exercido diretamente ou por meio de mandatos, delegações ou representações. Como, entretanto, no Brasil, não se tem muita tradição de vivência democrática nas diferentes instâncias (famílias, repartições, igrejas, cooperativas, partidos, cidade, utilização e preservação do meio ambiente), a participação seria mais bem traduzida como uma estratégia/pedagogia de aprender a ter poder, a se fazer tomar em consideração, a fazer valer a importância econômica, política e cultural das pessoas, categorias ou classes que estejam participando de um determinado processo social. Nesse sentido, a participação é ir definindo e redefinindo permanentemente os fins e os meios das práticas que estejam sendo desenvolvidas. Participação, portanto, é a aprendizagem do poder em todos os momentos e lugares em que se esteja vivendo e atuando.

Para Catani e Gutierrez (2001, p. 38), há uma íntima relação entre a participação e a gestão escolar, “(...) a participação se funda no exercício do diálogo entre as partes. Essa comunicação ocorre, em geral, entre pessoas com diferente formação e habilidades, ou seja, entre agentes dotados de distintas competências para a construção de um plano coletivo e consensual de ação.”
Daí a importância da instituição escolar garantir espaço para que a diversidade e o pluralismo de idéias se manifestem, possibilitando que os diferentes segmentos da comunidade reflitam e participem das decisões em prol da melhor formação possível para todos os estudantes. Um exemplo dessa participação se dá por meio da construção coletiva do Projeto Político-Pedagógico, bem como, as contínuas reflexões sobre o processo ensino-aprendizagem.
Toda escola deve se configurar como um ambiente que propicie condições de igualdade de participação a todos, propiciando meios e oportunidades para que concretize a gestão democrática. Nesse contexto, viver e a agir em cooperação implica romper com as relações de poder e autoritarismo características da escola tradicional, favorecendo o desabrochar de relações mais democráticas entre todos os envolvidos.
Cooperar com o próximo e em prol do próximo significa contribuir para a emancipação de todos, sempre numa atitude afirmativa. Essa é uma importante reflexão a ser realizada, pois se a escola tem como principal objetivo a formação integral de seus alunos, a cooperação entre todos aqueles que convivem na instituição deve caracterizar-se como um valor praticado por todos.
Também é importante respeitar e valorizar os saberes dos estudantes. Essa atitude constitui um dos principais propósitos da instituição escolar, afinal a aprendizagem resulta do encontro e confronto de diferentes saberes que se manifestam nas relações sociais. São manifestações decorrentes de sujeitos que trazem consigo diferentes histórias de vida que resultam de diferenças econômicas e culturais que se manifestam por meio da linguagem, das tradições e vestimentas, da concepção de moral e de religião, da interação com o meio ambiente, entre outros, que definem uma determinada sociedade, bem como as relações entre seus cidadãos. Nessa realidade, a questão do plural, do diverso, bem como das discriminações e preconceitos que deles decorrem, exige da escola efetivar práticas que preparem as futuras gerações para lidar com sociedades cada vez mais desiguais. (CANEN, 2002)
Assim, a concretização de uma gestão escolar democrática, pressupõe atuar na perspectiva intercultural, desenvolvendo um projeto educativo intencional que busca promover a relação entre pessoas de culturas diferentes. Isso implica em efetivar uma prática pedagógica que propicie oportunidades educativas a todos, respeitando e integrando a diversidade de sujeitos. Para tanto é importante desenvolver processos educativos, metodologias e instrumentos pedagógicos que dêem sustentação à complexidade das relações que se estabelecem entre os seres humanos.  (BRASIL/MEC, 2004)

O Conselho de Escola e a gestão democrática
A partir da década de 80 fortaleceu-se o movimento pela democratização no país, trazendo à tona a discussão sobre os processos de gestão da escola. Nessa direção, a legislação, especialmente a Constituição Federal do Brasil de 1988 e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei 9394/96, determinaram a gestão democrática como princípio para o ensino público. Todavia, é importante ressaltar que a efetivação desse processo exige mais do que a determinação legal, pressupõe a transformação na concepção, nas idéias que envolvem o modelo de gestão vigente, ou seja, é necessário romper com os mecanismos de dominação e autoritarismo que ainda se manifestam no espaço escolar.
A concretização da gestão democrática na escola consolida uma modalidade de administração que favorece o fortalecimento da cidadania, pois sua viabilização pressupõe a participação ativa dos diferentes atores que integram a comunidade escolar nos processos decisórios.
O Conselho de Escola caracteriza essa participação, pois, entre outros, é espaço de reflexão e encaminhamento de demandas educacionais. No entanto, as pesquisas revelam que poucas vezes temas de natureza pedagógica são tratados pelo colegiado, que focaliza-se, em geral, em questões administrativas.
Todavia, o Conselho de Escola, configura-se como um grupo de inclusão que interage numa instância de discussão, acompanhamento e deliberação, na qual se busca incentivar uma cultura democrática, participativa e cidadã.
Enquanto órgão colegiado, manifesta um relevante avanço histórico ao garantir um real espaço de participação, discussão, negociação, decisão e deliberação sobre demandas educacionais, sempre em consonância com a legislação vigente e os interesses da comunidade local. Isso contribui para a efetiva melhoria da qualidade do ensino e, conseqüentemente, impulsiona a desejada transformação social, afinal, um Conselho de Escola verdadeiramente atuante contribui para que a escola e a comunidade se unam e trabalhem juntos no enfrentamento dos desafios e problemas que se manifestam no cotidiano escolar.
A participação dos diferentes segmentos produz efeitos culturais ao resultar num processo educativo para toda a comunidade escolar, caracterizando um verdadeiro exercício de cidadania para a comunidade em que a escola está inserida.
No entanto, a real participação de todos no Conselho de Escola não é tarefa fácil. É preciso garantir espaço de participação para representantes que possuem diferentes idades, saberes, gênero e formação. Esse é o verdadeiro sentido da cidadania. Cidadania que resulta de uma ação coletiva e que busca o bem comum, na inclusão comunitária, reforçando o sentimento de partilha.
A escola pública é, sem dúvida, um dos principais elementos constitutivos de uma sociedade democrática. Nesse contexto, a viabilização de uma verdadeira democracia, pressupõe um sistema de educação que efetivamente eduque a população, desenvolvendo a criatividade, iniciativa, responsabilidade e liberdade, elementos fundamentais para o desenvolvimento pessoal do indivíduo, constituindo-se no principal meio de inserção social. (SANTOS, 2005)
É com essa compreensão que finaliza-se, utilizando as palavras de Medeiros & Luce (2006, p.25), ao afirmarem, “a luta por mais e mais democracia, fonte inesgotável do aperfeiçoamento da convivência humana, tem na educação sua maior sustentação e por isto tem que ser valorizada como prática política e pedagógica em todas as escolas.”
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2 O conceito de cidadania passou a ser difundido com a realização em 1789 da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, importante documento que estabeleceu as primeiras normas para assegurar a liberdade individual e a propriedade, implicando na implementação e desenvolvimento de regras mais justas para os cidadãos de todo planeta.
3 A democracia está fundamentada em três direitos: CIVIS, que correspondem à segurança e locomoção; SOCIAIS, que correspondem ao trabalho, saúde, educação, habitação, entre outros; POLÍTICOS, que correspondem à liberdade de expressão, de voto, de participação em partidos políticos e sindicatos, etc.
4 Comunidade escolar compreendida pelos estudantes, pais ou responsáveis, professores, funcionários e direção.
5 A autonomia da escola pública está expressa no Art.15 da LDBEN 9394/96 que determina “os sistemas de ensino assegurarão às unidades escolares públicas de educação básica que integram progressivos graus de autonomia pedagógica e administrativa e de gestão financeira, observadas as regras gerais de direito financeiro público”.


REFERÊNCIAS

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